segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Agora só me resta chorar”, diz a mãe da menina Joanna

“Agora que o laudo saiu, só me resta chorar”. Foram estas as palavras da médica Cristiane Marcenal, mãe da menina Joanna, diante da confirmação de que a filha sofreu maus tratos antes de morrer, no último dia 13 de agosto. Joanna, de 5 anos, deu entrada num hospital do Rio naquele mês ferida e inconsciente e foi atendida por um falso médico, que não deu o diagnóstico correto e a mandou de volta para casa – o que resultou em sua morte. Além da denúncia sobre a atuação de falsos médicos no Rio e em todo o país, o caso chocou pelas condições em que a menina chegou ao hospital. De acordo com o laudo, as lesões que ela tinha nas nádegas foram causadas por motivações físicas ou substâncias químicas, e as cicatrizes e feridas no corpo são traumas. Segundo o laudo, Joanna morreu de uma meningite desenvolvida a partir de herpes, e que todo o quadro da doença pode ter se desenvolvido a partir de baixa imunidade – o que pode ocorrer por forte estresse.

A menina estava desde o fim de maio sob a guarda do pai, o técnico judiciário André Marins. Uma empregada que trabalhou alguns dias em sua casa declarou que tinha visto a menina amarrada e suja de urina e fezes. Nas poucas vezes em que falou sobre o caso, ele disse que a filha tinha convulsões e que – aconselhado por uma psicóloga – ele amarrava as mãos da menina para protegê-la. Mas a psicóloga que a atendia, Lilian Paiva, desmentiu essa versão. Disse que Joanna começou a ser atendida por ela em bom estado e, aos poucos, passou a aparecer fisicamente debilitada e muito nervosa, pedindo colo.

Cristiane acredita que não haja mais dúvidas dos maus-tratos por parte do pai. Só não consegue entender os motivos. Ela conta ao Mulher 7×7 como foi a inversão da guarda da menina e como foi o relacionamento com o pai de Joanna ao longo do tempo.

O resultado do laudo a surpreende?

Não. Eu já sabia o que viria. Para quem está dentro dessa história, não há dúvidas de que havia maus-tratos. Em outubro de 2007, Joanna voltou da casa do pai com um hematoma enorme nas costas e alguns menores na perna. Ela não dizia o que era. Fiz um boletim de ocorrência na delegacia de Nova Iguaçu e o delegado levou à frente, mas a promotora do caso não se pronunciou porque era amiga dele, tinha sido professora dele. A coisa parou aí.

Por que houve a inversão da guarda?

É uma longa história. Conheci o pai da Joanna em 2004, éramos da mesma igreja evangélica no Recreio dos Bandeirantes. Não chegamos a nos casar. Foi um relacionamento rápido e eu engravidei. Ele não queria a criança, pediu que eu tirasse, mas não concordei. Meus pais me ajudariam e, afinal de contas, eu tinha 31 anos, era independente. Ele só foi vê-la dois dias depois que nasceu, depois a via irregularmente, sem maior interesse.

E quando voltou a se interessar?

Eu pedi pensão e ofereci uma visitação nos sábados pela manhã, de 15 em 15 dias. Ele aceitou. Ela descia com a babá e ficava no play com ele por uma hora e meia, duas horas. Depois sumiu de novo e em 2006 quis visitação novamente, agora ficando no fim de semana inteiro. Eu neguei, ele conseguiu pelas vias judiciais. Joanna vomitou, chorou, não queria ir. Ela não tinha intimidade com ele e não queria ficar longe de mim. Fez-se uma rotina, mas ele muitas vezes não aparecia nos fins de semana dele. No seguinte eu saía com minha família (já tinha outros filhos) e aí ele aparecia. Reclamava com a Justiça que o fim de semana era dele e conseguia mandado de busca e apreensão para o seguinte. Foi nessa época, 2007, que um dia ela voltou com sinais de maus-tratos. E descobri outras coisas sobre ele e a mulher na delegacia.

O que?

Havia um boletim de ocorrência feito pela mulher dele de violência doméstica. E também por parte dele: a mulher havia dado uma cadeirada na cabeça dele. E ele explicou na delegacia que o motivo da briga tinha sido o fato de a mulher não querer a Joanna na casa deles. Em 2009, eu e meu marido decidimos nos mudar para Campos de Jordão, por motivos profissionais. Informamos à Vara de Família e mandamos um telegrama para ele. Viajamos em fevereiro deste ano e estávamos bem lá até o último dia 19 de maio, quando soube que uma juíza havia dado a inversão da guarda.

Qual o motivo?


Ele convenceu a Justiça de que eu tinha ido à revelia dele e que eu praticava a alienação parental. Pela inversão provisória da guarda, Joanna ficaria 90 dias seguidos com o pai, sem que eu pudesse sequer vê-la.

Como Joanna reagiu?

Ela chorava sem parar, mas conversamos muito e eu disse que depois de três meses voltaríamos e ficar juntas.  E pedi muito que ela obedecesse ao pai. No dia 26 de maio, em que fui entregá-la no fórum, não tive forças para sair do carro. Pedi que meu marido a levasse. A última coisa que fiz foi prometer que logo estaríamos próximas de novo. Mas nunca mais nos vimos de verdade. Eu prometi a ela que ficaríamos juntas e não consegui cumprir.

Durante o tempo em que ela ficou com o pai, vocês não se falaram nem ao telefone?

Eu liguei muito, mas ele não atendia. Ou desligava. Não tenho qualquer ideia do que aconteceu naqueles dias. Só sei de como ficou o corpo da minha filha depois de tudo.

Como você foi avisada de que ela estava no hospital?

Uma amiga dele me telefonou, sem ele saber. Disse que achava uma injustiça ele não me avisar. Mas era tarde demais. Foi então que, pelos jornais, fiquei sabendo do depoimento da empregada, da psicóloga e de tudo que foi acontecendo com a minha filha naqueles dias em que ficamos separadas. E agora que saiu o laudo, só o que posso fazer é chorar.

Alguma vez Joanna apresentou convulsões perto de você?

Jamais. Ela tinha uma saúde ótima e o pediatra dela já deu depoimento sobre isso. As escolas por onde ela passou também estão aí para comprovar. Inclusive tenho encontrado com antigas professoras, que estão muito chocadas com tudo que aconteceu.

Você já conversou com a psicóloga que estava atendendo a Joanna?
Não tenho coragem (chora). Quando li o que ela disse, que minha filha pedia colo,
que tudo que ela precisava era de carinho, foi uma dor grande demais. Ela foi alguém que deu consolo a Joanna nos dias em que ela estava mais sofrendo, por isso eu quero muito conhecê-la e estar com ela. Mas agora ainda não dá.





5 comentários:

  1. Dra cristiane..nao chore nao se demontre fraca. a senhora tem que lutar..nao se sinta inpotente.. vai ser dura a justiça vai triunfar.. o estado tem que responder por tudo que aconteceu com sua filha. tenha fé.. sua filha era uma criança linda. sabe pq? pq a senhora é uma mae linda..força!!!
    e que Deus abençoe a senhora e sua familia...

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  2. eliel.godoy@hotmail.com12 de outubro de 2010 08:13

    pai filho da p.promotora filha da p.gostaria de ficar com vcs sosinho..iriam sofrer muito com meu espancamento em vcs..vamos me processem seus vagabundos

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  3. Que Deus de forças a essa mãe e que a justiça seja feita.

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  4. Manda estes fdp do PAI e MÀ-DRASTA pra PE que aqui nós resolvemos do nosso jeito....
    Este pai NOJENTO não iria ter a oportunidade de tomar sorvete com a familia, seria linchado!!
    E que Deus tome logo uma providência, para que o pai ANDRE MARIS e a mulher não façam também com os dois pequenos que estão sob a guarda deles.
    Jesus proteje nossas crianças!
    Querida Joana fica nos braços do senhor, ele te ama e nós também. Senhor conforta o coração da Cristiane Marcenal! Deus te abençoe.
    Juliana Lemos, Recife/PE

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  5. DRª Cristiane, tenha certeza que a Joanna cumpriu a missão dela aqui. Com certeza agora ela está descansando! Não chore, ela não queria ver a mãe triste, ela te ama e voce sabe disso. Agora ajude outras mães a não passar por isso, tenha força voce pode! Vamos juntas lutar para que juizas, promotoras e psicologas como estas que voce teve a infelicidade de encontrar paguem pelo que fizeram contigo,com a Joanna e com a sociedade. Ao contrário do que vc disse, a sociedade não está dormindo tranquilo porque o André está sozinho na cadeia, tem que ir a juíza, as psicologas e a promotora pra cadeia aí sim a sociedade estara com certeza de ter sido feita a Justiça! Querida Cristiane, lembre-se a JOANNA tem nome de heroína, e foi uma HEROÍNA, vítima desse judiciário incompetente onde essas incompetentes juizas, tipo Claudias que querem aparecer com essa novidade "alienação parental" e na verdade são umas burras que não escutam a criança que pode ser pequena, mas não é tão burra quanto a juiza e sabe o que e quem lhe faz mal.

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